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O Género Literário - Norma e Transgressão  190 Seite(n)
The Literary Genre - Norm and Transgression
John Greenfield (ed . )

O Género Literário - Norma e Transgressão
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Ausschnitt aus dem Kapitel: Derivas: do Conto ao Romance em José Saramago
 
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Adolfo Casais Monteiro, sobre os heterónimos) . Ou, para o dizer em termos quase pessoanos: se não foi assim, assim . Segundo essa análise (cf . Castro, 1982; Castro, 1997), não teria havido o tal ‘dia triunfal’, mas antes uma de lembrar uma outra e por certo não menos famosa revelação da história literária portuguesa do século XX e mesmo mente encontrei me no Levantado do Chão , que é um livro que foi escrito daquela maneira pelo facto de Derivas: do Conto ao Romance em José Saramago 1 . Num certo passo do volume Diálogos com José Saramago, logo lá com o livro todo arrumado na cabeça . [ … ] Acabei por me decidir a escrever o livro, escrevê lo, fui até à página vinte e tal e de repente, sem reflectir, sem pensar, sem planear, sem ter série de dias, congraçados pelo poeta num momento fulminante e assim representados no seu testamento poético (a famosa carta a da heteronímia e por fim desmistificado, com suporte na análise de manuscritos, do ponto de vista da chamada crítica genética deveria ter sido e portanto (pessoanamente) assim passou a ser . (Reis, 1998, p . 42) É evidente que este momento de verdadeira epifania de uma escrita nova não pode deixar quase sem aviso prévio, os poemas dos heterónimos e logo depois (sequência inevitável na lógica interna da escrita pessoana) as personalidades que lhes dão autoria . O episódio foi muitas vezes comentado quanto ao seu significado no cenário da génese sabia o que queria contar, mas aquilo não me agradava, havia uma resistência em escrever o livro; mas comecei a eu ter estado no Alentejo e de ter ouvido contar histórias . Estive no Alentejo em 1976 e saí de posto de um lado os prós e do outro lado os contras, achei me a escrever como hoje escrevo . de toda a história da literatura: refiro me ao famoso ‘dia triunfal’ em que Fernando Pessoa teria visto aparecerem lhe, no primeiro capítulo, pode ler se o seguinte: Eu acho que me encontrei num certo momento da vida e provavel
 
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‘arqueológico’ e quase juvenil Terra do pecado (de 1947) . O mesmo não direi dos contos e por isso aqui que conhecem a obra do escritor, a partir de Ensaio sobre a cegueira; concorda com isso a auto análise de . Não refaço, ainda assim, aquela pergunta, por muito que a possibilidade de uma resposta por parte do escritor pareça estilo (Reis, 1998, p . 43) . Uma ressimplificação, acrescento eu, que, diferentemente da ruptura de Levantado do chão, não comum ajustado à considerável de facto, ninguém pode negá lo: do ponto de vista da dinâmica do estilo, em tudo aquilo que o estilo Saramago reconhecidamente comporta e que aqui não analisarei, Levantado do chão e os romances que se lhe seguem pouco ou menos digressiva; uma prosa que, tendo sido ressimplificada vem a ser, no plano da expressão, uma espécie de pertinente denominador assim resolutamente abreviada . Confirma o José Saramago, quando ao que citei acrescenta: ‘Eu não tinha que mudar muito, a retroactivo e a exemplo de Pessoa, inventado o seu próprio ‘dia triunfal’ . A emulação pessoana não causaria estranheza em José Saramago, quando declara ‘estar a assistir, nestes últimos livros [ … ], a uma espécie de ressimplificação ’ do Carlos Reis 148 E com José Saramago, o que, afinal, terá acontecido? Resisto à tentação de perguntar ao escritor (no partir daí, porque tudo o que tinha que mudar aconteceu naquele momento’ (Reis, 1998, pp . 42 43) . E caso, pela segunda vez) se foi exactamente assim que as coisas ocorreram ou se não teria Saramago, por um movimento quem escreveu O ano da morte de Ricardo Reis, magistral revisão ficcional do universo de Pessoa e dos seus mitos inventada ex abrupto, por força de um acto de bypass estilístico, capaz de ‘economizar’ uma longa e talvez árdua evolução, estimulante . Seja como for, o que no caso em apreço estaria em causa seria o nascimento de uma escrita nada têm que ver com os romances anteriores, seja o fundador Manual de pintura e caligrafia (de 1977), seja o estou . Nada disto pressupõe, note se, uma concepção estática e definitiva da escrita literária: sabem no bem todos os ocorreu de um momento para o outro, antes foi gradualmente refazendo o corpo de uma prosa narrativa mais despojada e
 
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personagens que povoam um universo ficcional . Para a cabal clarificação desse processo de construção de um mundo de ficções já outro problema) afirmações pessoanas como esta, ainda a propósito do ‘dia triunfal’: ‘E escrevi trinta e tantos poemas a processo daquilo a que chamo fazer se uma obra (voltarei à expressão), por caminhos outros que não os da súbita mudança do rumo da escrita . Se esta, no plano estilístico, é de facto relevante para configurar uma personalidade literária importante dispormos do nada fazer a luz de uma escrita idealmente marcada pelo timbre indelével e irrepetível de uma individualidade criadora: aquela a vestir o traje do artista romântico, filho querido da inspiração e dilecto herdeiro de uma quase divina vocação para Do Conto ao Romance em José Saramago 149 diversidade de leitores que, em muitos casos pela mediação do tradutor, lêem causa a autenticidade de um outro ‘dia triunfal’, o de José Saramago, tratarei de analisar aspectos que julgo pertinentes do e da despersonalização . Também por isso, estão no limite do tolerável (ou no limiar da esquizofrenia, o que seria eles de incidência temática ou axiológica, do âmbito da opção por certos géneros literários ou do domínio da concepção das fio, numa espécie de êxtase cuja natureza não conseguirei definir’ (Pessoa, 1946, p . 201) . Mesmo sem pôr em mesma e nenhuma outra . Não é esse o Saramago que conhecemos; muito menos o é Fernando Pessoa, seu cúmplice neste transe, um Pessoa que justamente fez da sinceridade a bête noire de uma poética assente nos princípios do fingimento (e de auto construção de uma identidade autoral), a constituição e evolução do estilo e seus presuntivos saltos qualitativos, seria – da tese do ‘dia triunfal’ obriga a questionar aspectos importantes do ethos criativo de um Fernando Pessoa pouco propenso José Saramago em muito diferentes latitudes culturais e linguísticas . 2 . A aceitação – com ou sem reserva mental tão impressiva como José Saramago, ela não pode dissociar se de outros planos do tal fazer se uma obra, sejam
 
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ocupo me de uma dinâmica interna de construção da obra e da sua sempre movente identidade autoral (Michel Foucault confirmou de quem se interessa pela questão que venho aflorando ter acesso aos manuscritos (ou mesmo aos dactiloscritos, como suponho que o, num ensaio conhecido; cf . Foucault, 1979), dinâmica que consubstancio em substitui a tonalidade idealista de criação literária) e de correlata construção de uma obra, o nada é, em bom rigor, de um novo autor . Conjecturas à parte, uma coisa é certa: algo mudou, de facto e drasticamente, a partir de Levantado do chão, para que se tivesse afirmado, com fulminante projecção pública e com inegável consistência literária, uma obra pp . 35 37) . 3 . Não é porém essa ascendência que aqui me interessa . Em vez dela, será o caso), no momento imediatamente anterior àquela ‘página vinte e tal’, em que ‘de repente’ se deu o advento não voltou a ser o que era . O que, pela minha parte, aqui quero sublinhar e talvez mostrar é ficcional tão rica, complexa e sedutora como a de José Saramago . E assim, beirando os 60 anos, o escritor se sabe, actualmente são neutralizados e metodicamente rasurados pela escrita em suporte informático . Mas não era assim no fim Não assim com Saramago, capaz de se reconhecer como ramo de uma árvore genealógica em que convivem o Padre António um lugar só povoado pelas ilusões de quantos alimentam a absurda hipótese de uma escrita sem memória nem passado . Carlos Reis 150 de manuscritos e de outros documentos de arquivo literário; trata se de materiais oficinais que, como bem que uma tal obra não veio, afinal, do nada . Em matéria de escrita literária (expressão que neste contexto bem Vieira e Almeida Garrett, Raul Brandão e Almada Negreiros, Montaigne e Kafka, Camões e Fernando Pessoa (cf . Reis, 1998, dos anos 70, quando Saramago escreveu Levantado do chão, o romance da viragem . Serei mais claro: faria a felicidade que já o era como que se descobre escritor outro, reinventando uma língua literária que, depois dele e dessa reinvenção,
 
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preparação e acesso ao romance, como peça maior de uma obra coerente e orgânica . Esclareço, entretanto, que falo aqui dita, tendo que ver com a interacção que ela estabelece com outras actividades e registos de escrita (penso aqui, evidentemente, Do Conto ao Romance em José Saramago 151 dois processos talvez paralelos: um processo de aprendizagem da escrita literária propriamente a obra de um escritor – a obra de José Saramago, por exemplo – define se e estabiliza se de acordo com procedimentos de incidência institucional muito diversos, apontando para uma canonização que, no caso do nosso romancista, já tem de obra (ou mais expressamente de obra literária) numa acepção que co envolve pelo menos três planos de abordagem: um leitura integral e abrangente apenas por se tratar de uma produção ainda em devir, porventura interagindo até com as leituras evolução; e de acordo com isso, ela estabelece um antes e um depois de uma determinada ocorrência ou obra: um plano histórico literário, que é aquele em que observamos a gradual mudança das obras singulares de um escritor em diálogo sentido global e desejavelmente coerente . A obra de José Saramago propende para esse todo, ficando em suspenso uma sua o aval de um ‘papa’ chamado Harold Bloom, ‘papa’ para alguns tão infalível como o outro . Convém estar atento, tendo que ver com a sedimentação de leituras concretizadas e com a representação de um todo que pode alcançar um de vista, a história literária pode mesmo fixar (procedimento discutível, mas que não é raro) fases ou etapas de uma com o seu tempo, com a literatura que o antecede ou com a que lhe é contemporânea . Deste ponto entretanto, às conotações negativas que podem afectar a estabilização (termo que conscientemente utilizei) de uma obra canonizada ou em vias no labor do Saramago jornalista e cronista); um processo de deriva de géneros, permitindo fazer do conto o estádio de de canonização . Numa terceira acepção – que me é especialmente cara – falo em obra literária numa perspectiva fenomenológica, críticas que, à sua maneira, vão ajudando a fazer a obra . De acordo com esta abordagem e em sintonia antes e um depois de Levantado do chão, no caso de Saramago . Numa segunda acepção, talvez menos interessante aqui,
 
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tipo memorialístico que permitem caracterizar se uma figura humana e os seus vários tempos, diversamente convocados; porque se abeiram de metaliterária da aquisição da escrita e da consciencialização da responsabilidade do escritor, tal como as encontramos no romance Manual de ler textos cronísticos como embriões de contos ou de romances, traçando tentativamente os ‘caminhos da ficção’: ‘porque utilizam processos de mais aquele e outro ainda, quando entre esses livros não há, possivelmente nem podia haver, nenhuma separação, todos eles fluem acontecer em vagas e miríficas con são, não podem deixar de ser, um único, um só, um todo indivisível?’ (Abelaira, 1972, p . 202) . 4 . A obra de José Saramago constrói se e vai se consolidando a partir de uma aprendizagem que envolve experiências primacialmente de ordem ontológica – passagem da referência ao mundo real para a construção de um universo ficcional – permite géneros paraliterários, como a crónica, para géneros literários como o conto ou o romance . Essa passagem , que é pintura e caligrafia (de 1977) . Romance ou (significativamente, neste contexto) ensaio de romance, conforme dizia o subtítulo da primeira Carlos Reis 152 com uma moderna (e também post moderna) valorização do fragmento e da sua funcionalidade estética, um contemporâneo ambiências psicológicas tanto como de concretos delineamentos físicos; porque urdem esboços de narrativa e de enredo, embrenhando o mais concreto no íntimo de uma infinita melodia, todos eles traduzem a busca de um mesmo equilíbrio, e em vez de muitos e tempos tão distintos como a escrita da crónica (cf . Miné, 1994), a incursão na poesia ou a representação Costa, 1997), questão que me parece interessante sobretudo de um ponto de vista poucas vezes considerado: o da passagem de edição . Não me deterei, porém, na questão da formação do escritor, já estudado em relação a Saramago (cf . de Saramago, Augusto Abelaira, pôde perguntar, em jeito de interrogação retórica: ‘Porque é que um autor escreve este livro e
 
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a um outro movimento, observado no interior (por assim dizer) do sistema literário de um autor . Trata se, assim, antecessores em Eça de Queirós e em Machado de Assis . O conceito de deriva que aqui adopto reporta se de acompanhar um movimento de ordem textual e compositiva, normalmente de tipo expansivo, permitindo isso que noutros contextos é desvio, se nos, no título, como outra coisa, que não romance: memorial, história, anuário, ensaio, evangelho . Acontece assim também porque, uma actividade profissional propriamente dita ou o suporte económico para a escrita literária . Na língua portuguesa e só para falar de nomes acima de toda a contestação, José Saramago tem, no aspecto que aqui está em causa, dois ilustres Do Conto ao Romance em José Saramago 153 jecturas de uma prodigiosa imaginação’ (Seixo, 1999, p . 23) . Este mudança ou alteração genética; no quadro de uma determinada produção literária, acciona se, então (não importa agora se consciente ou mais complexo um mundo ficcional específico, cujo alcance semântico e potencial pragmático ao mesmo tempo se adensam . Curiosamente, os que a do texto de partida . Deste modo, a deriva do hipotexto para o hipertexto normalmente aprofunda e torna romances de José Saramago parecem, pelos títulos que nos propõem, provir de uma escrita em deriva de género narrativo para do género remete não para um princípio de observância, mas para a sua incessante derrogação, às vezes com motivação parodística num quadro estético e axiológico de clara orientação post modernista, aquilo a que Jacques Derrida chamou a lei da lei inconscientemente), um dispositivo de ampliação textual, sem mutação ontológica . Noutros termos: um conto ou uma novela dão lugar a . Depois de afirmar que ‘desde que o género género narrativo . E assim, o que normalmente aparece identificado com a marcação de ‘romance’ no lugar do subtítulo, apresenta não é, aliás, um caminho desconhecido; muitos romancistas o fizeram (ou fazem), quando a colaboração na imprensa era (ou é) uma novela ou a um romance, quer dizer a um género narrativo e ficcional de estrutura macrocompositiva mais alargada do
 
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prólogo nem explicação prévia que clarifique a origem destes textos, mas há uma epígrafe e um texto na contracapa . homem é formado pelas circunstâncias, é necessário formar as circunstâncias humanamente’; o texto da contracapa (que assumo o risco de uma lei de impureza, uma economia do parasita’ (Derrida, 1980, pp . 177 e 179) . O que aqui pretendo deriva do conto para o romance é um movimento projectivo que parte daquele para este, com a vantagem e com estabelecida na leitura em continuidade dos contos e dos romances que se lhe sucedem; o que é uma análise interessante José Saramago ter já publicado mais de uma dezena de romances . 5 . Na colectânea Objecto quase reuniu José atribuir a Saramago) diz que ‘ Objecto quase é um livro intemporal’; que ‘ninguém nele tem bilhete de identidade’; fala a segurança adicionais decorrentes do facto de, depois dos seis contos de Objecto quase (que são os que aqui considero), a formação do escritor e procura ler no texto de agora os seus antecedentes . Pelo contrário: uma leitura da Aquela, a epígrafe, vem d’ A Sagrada Família de Marx e Engels e entreabre pistas de leitura importantes: ‘Se o deriva , dos contos de José Saramago para os seus romances no plano histórico literário, esse que se preocupa com mas inevitavelmente limitada (cf . Costa, 1999, p . 40 42) . Para além disso, não observarei o movimento de Carlos Reis 154 se anuncia há que respeitar uma norma, não ultrapassar uma linha limítrofe, não arriscar a impureza, a Saramago seis contos: ‘Cadeira’, ‘Embargo’, ‘Refluxo’, ‘Coisas’, ‘Centauro’ e ‘Desforra’ . No volume da primeira edição (de 1978) não existe por fim e a concluir: anomalia ou a monstruosidade’, Derrida enuncia assim essa lei da lei do género : ‘É precisamente um princípio de contaminação, ainda o tal texto (aliás, muito breve) num regime de ‘des situação [ … ] praticada desde a primeira página’; é ir além daquilo que já foi feito, ou seja, além da correlação de elementos de conteúdo (personagens, por exemplo),
 
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não é) um desvio de rota: é necessário saber ler estes textos transcendendo aquilo que neles é mais visível . cada texto fosse quase um romance , entendido este como o ‘objecto’ último de um projecto de escrita cujo potencial o culto de uma espécie de diáfana austeridade de meios pela singularidade dos títulos: um vocábulo apenas, nome abstracto (embargo, incompleto . Justamente: como se aqui se estivesse próximo de alguma coisa ainda a vir ou, noutros termos, como se refluxo, desforra) ou generalizado pela supressão do artigo (cadeira, coisas, centauro) . Completando esta contenção de processos, o título da colectânea Objecto quase não é menos inusitado: de novo falta lhe o artigo e o sintagma que ele forma parece abstracção parecia prejudicar) confirmarão o termo final do projecto literário do autor: instalar se ‘na dureza limpa do concreto’ . deles – hão de concretizar . Só então certas dominantes temático compositivas que nestes contos podemos observar atingirão o seu precisas, circulando por espaços neutros, destituídos quase por inteiro de referências geográficas, políticas ou sociais . Acentua se nestes contos e o propósito ideológico de atentar nas circunstâncias e na sua dimensão humana . Já ao dizer que pela via da abstracção se acede à ‘dureza limpa do concreto’ o texto da contracapa corrige o que parecia ser (mas afinal narrativo fica em suspenso, à espera do alargamento, em movimento de deriva que os romances – ou pelo menos alguns Trata se aqui de histórias descarnadas, povoadas por personagens com rostos difusos ou com corpos compósitos, sem nomes nem identidades na dureza limpa do concreto’ . Só aparentemente, como se verá, existe contradição entre o anunciado regime de ‘des situação’ Do Conto ao Romance em José Saramago 155 ‘pensa o autor que, pela via duma certa abstracção, se instalou, aqui, expoente máximo de desenvolvimento; e também só então alguns dos grandes sentidos da obra de José Saramago (sentidos que a
 
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A concentração aqui é de outra ordem, por assim dizer hipertrofiada e subsidiária daquela, consistindo na redução da história a foi, como sabem os que se recordam do fim do ditador Salazar, a queda de um regime político tão velho com a identificação de certos princípios constitucionais do relato em José Saramago, relato que postulo num sentido muito amplo, aquém uma fracção de tempo mínima: o segundo (ou menos) que dura a queda da cadeira . Mas logo depois, fixado contos da nossa literatura, também pelo perfeito domínio dos recursos técnicos que nele se exibem . Trata se, como se (e é) óbvio num tal género de relato, quando consideramos a economia de meios com que ele se resolve . como o ditador . Falei em princípio da concentração não apenas por me referir a um conto, o que seria o princípio da concentração, o relato opera uma expansão, traduzida agora nas cerca de vinte páginas em que esse segundo Carlos Reis 156 6 . Conjugo a análise de dominantes temático compositivas que se manifestam nos contos de Objecto quase inversamente alargadíssimo, elabora se, por virtude de um sofisticado tratamento formal, um decurso regido em velocidade que as artes da de determinações de género narrativo . Chamo princípio da concentração ao conjunto de determinações (quase normas implícitas) que regem a melhor termo … ) prolonga no tempo da narração e, por extensão, no da leitura aquilo que ocorreu de forma histórico é relatado, uma dimensão que brutalmente contraria e refigura a brevidade factual da história . Num tempo do discurso imagem em movimento bem conhecem e cultivam: o slow motion (portu guesmente chamado câmara lenta) que de modo artificial (nunca depois disso reduzido ao coma que antecedeu a morte; a mediata consequência do que inicialmente pareceu um quase banal incidente lembrarão quantos leram o conto, da narração dos brevíssimos instantes em que, por acção diligente do caruncho, se quebra a perna de uma cadeira; o imediato desenlace é cair dela um velho, ferido na cabeça por causa da queda e fulminante . construção de certas narrativas; e observo a sua vigência em ‘Cadeira’, do meu ponto de vista um dos mais admiráveis
 
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nos termos em que Saramago procederá, na sua ficção, à dessacralização da História, dos seus heróis oficiais e da sua torná lo atrás como o Guadiana, não de medroso, porém de gozoso, que é modo celestial de gozar, também sem caruncho que derruba a cadeira (e por extensão o ditador que nela se senta) ensina pelos menos três lições e Do Conto ao Romance em José Saramago 157 O que está aqui em causa não é, bem entendido, a exibição e enquanto olhamos este tombo que nada deterá e que nenhum de nós irá deter, agora já sabido irremediável, podemos nossa História colectiva que assim podemos rever numa sua dupla face: a de acidente que, como tal, constitui um acontecimento é um qualquer velho) e o caruncho (o Anobium) que provoca a queda . Recordo um passo do conto para momento pode remeter, se devidamente quisermos entendê lo, para um tempo longo, complexo e plural, na medida em que esse tempo não envolve apenas o velho que cai (e que não pela sua metodologia, pelos documentos de que depende e pelas motivações que a inspiram . E assim, o episódio do melhor me explicar: Caindo assim a cadeira, sem dúvida cai, mas o tempo de cair é todo o que quisermos, único e brevíssimo e a de culminância de um processo histórico que dialecticamente concentra em si um tempo muito mais outra dúvida merecido . (Saramago, 1978, p . 18) A fugaz alusão (algo menos do que uma citação) ao rio abre um caminho de desenvolvimentos ficcionais que vários romances de Saramago hão de percorrer: ele diz nos que um brevíssimo Guadiana e a um episódio do canto IV d’ Os Lusíadas, quando se inicia a batalha de Aljubarrota, não está ali com exclusivo propósito paródico . Um tal propósito não pode, evidentemente, ser excluído da cena do conto, quando pensamos construção parcelar; para além disso, o que assim se sugere é a premência de uma revisão da História que vá muito além (e cronologicamente aquém) de um seu incidente localizado . Aparentemente é a ficção de um conto (ou, mais de uma habilidade técnica, coisa que, para alguns, já não seria pouco . Naquele segundo fixa se um momento da tarde, a de vários romances) que pode tornar atrás o tempo, ‘como o Guadiana’, refigurando uma História não raro espartilhada
 
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historiográficos nos legaram, neste caso a hipótese de uma fundação e, por extensão, de uma condição nacional plenamente independentes, sem é outra coisa, envolvendo o trajecto de um micróbio da História; chama se o micróbio Baltasar Sete Sóis, operário e negam os valores em que se sustenta . Recordo também (e inevitavelmente de forma breve) Memorial do Convento: nele, uma um corrector de imprensa, introduz se um não num texto historiográfico em que ele se não encontrava originalmente . Trata outras: o Anobium, neste caso . Recordo brevemente História do Cerco de Lisboa (1989): pelo gesto singelo mas intrusivo de História, independentemente da vontade individual dos líderes que os historiadores destacaram . Recordo, por fim e não menos rapidamente, o acontecimentos que desembocam num cataclismo: a reinvenção da História, nesse seu fundador episódio que é a conquista de Lisboa, em 1147 . Revista em clave ficcional, ela obriga a colocar uma hipótese tão legítima como as ‘certezas’ que os textos figura tão desconhecida como aquele caruncho de ‘Cadeira’ participa numa obra grandiosa e incomensurável como a megalomania do rei que o rumo da História, independentemente das decisões ponderadas dos seus actores; diz nos, por fim, que um outro olhar, motivado a determinou . O convento de Mafra é, como sabemos, construção arquitectónica historicamente motivada por ponderosa razão de Estado: o Carlos Reis 158 mais extenso e complexo do que ele; diz nos ainda que (ironicamente) um acidente trivial pode mudar se de uma espécie de bater de asas de uma borboleta, algures na China; disso resulta expansivamente uma cadeia de localizado ponto de partida de onde arranca pelo reenquadramento ficcional, descobre que os protagonistas dessa mudança não são os que estavam consagrados pela historiografia oficial, mas entidades soldado mutilado, e nele está concentrado o esforço colectivo de quantos (e são muitos) pelo seu trabalho anónimo fazem a nascimento do herdeiro que assegurasse a sucessão do monarca . A reconstrução ficcional do convento num romance de José Saramago ajudas externas, sejam dos cruzados de então, sejam dos de agora, apóstolos todos de uma civilização pródiga em gestos que
 
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enunciado : n’ A Relíquia, perante um túmulo vazio, Maria de Magdala ignora que o corpo de Cristo foi roubado final do crucificado (‘Homens, perdoai lhe, porque ele não sabe o que fez’; Saramago, 1991, p . 444) culmina a face do mundo e dá uma religião mais à humanidade!’ (Queirós, s . d . , p . 210) . e assim, no princípio não foi o Verbo, mas tão só a sua ausência que corroeu o imaginário axiológico e início do conto ‘Refluxo’: Primeiramente, pois tudo precisa de ter um princípio, mesmo sendo esse princípio aquele ponto de fim 7 . Deixo o princípio da concentração e passo ao que chamo o princípio da circunstancialidade; deixo o plano da expansão narrativa empreendida a partir de um acto de linguagem falhado (a omissão de José) e falhado porque não dito: e também heterodoxa visão do Cristianismo, fundada, ao invés do que lemos no romance de Saramago, num acto de linguagem ético moral de uma religião . Por esta via, é possível relacionar O Evangelho Segundo Jesus Cristo com uma outra que dele se não pode separar, e dizer ‘não pode’ não é dizer ‘não quer’ ou ‘não deve’, é o e de medos; o que daqui decorre é a reavaliação do Cristianismo e das suas contradições fundacionais . A fala e grita: ‘Ressuscitou, ressuscitou!’; o que permite a Teodorico Raposo concluir: ‘E assim o amor de uma mulher muda a estreme não poder, porque se tal separação se pudesse, é sabido que todo o universo desabaria, porquanto o universo é construção do universo da ficção e passo ao da configuração do estilo, para o que necessário se torna recordar o cadeira, parte a revisão ficcional da vida de Cristo, um Cristo humanizado como aquele acto, protagonista de amores, de fragilidades acto de humana cobardia e egoísmo, tão obscuro como a diligência com que o Anobium rói a perna de uma José omite a informação, foge e deixa os ditos inocentes por conta dos soldados de Herodes . De um pontual . 54) . Do Conto ao Romance em José Saramago 159 O Evangelho Segundo Jesus Cristo : sabendo da próxima matança dos inocentes, uma construção frágil que não aguentaria soluções de continuidade – , primeiramente foram abertos os quatro caminhos (Saramago, 1978, p
 
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em todo o conto ‘Cadeira’ . Curiosamente, contudo, em ‘Refluxo’ a manifestação do princípio da circunstancialidade é, se o jogo não passa . Quero dizer: inicia se (e não mais do que isso) no extenso primeiro período do conto um circunstancialidade . Afirma se ele como expressão de um conjunto de procedimentos de estilo que hão de dominar os grandes de palavras me é permitido, um princípio de circunstancialidade ou seja, uma ocorrência em que ela se evidencia, mas daí com a linguagem . É já isso que está no início de ‘Refluxo’, como está, de forma ainda mais exuberante, saramaguiana o utilize como traço idiolectal proeminente . Logo explicação de sentidos figurados, deturpados pelo uso ou pelo desuso, tudo por junto revelando também uma bem conhecida relação lúdica quem tal coisa afirma, até mesmo ao arrepio do propósito do escritor . Para Saramago, os sinais de pontuação ‘são forma anunciando o que se segue; neste caso, o incipit é o local em que aflora o referido princípio da na finalização de que o livro necessita’ (cf . Reis, 1998, pp . 101 102) – é a sobrecarga de de leitura encontram, às vezes no limite da intolerância e mesmo da miopia: resulta desta a repetida acusação segundo a comportamento de leitura próprio – ‘uma espécie de ‘actividade muscular’’, disse Saramago, sendo o leitor ‘alguém que está a colaborar Carlos Reis 160 Por natureza e usual funcionalidade, o incipit é um lugar textual fértil em sentidos dominantes, de alguma indicações circunstanciais, aparentemente acessórias ou indicadoras de pormenores subsidiários: as perífrases, os alargados circunlóquios, as indagações semânticas e etimológicas, a e gestos que não estão à vista nem ao ouvido de quem lê . Aquilo que muitas vezes solicita um procedimento que logo depois se interrompe, como se dele ficasse tão só o aviso, à espera que a grande ficção sinais de pausa, no sentido musical’ (Reis, 1998, p . 102), marcando aquela singular pontuação uma oralidade que esconde entoações romances de José Saramago, grosso modo de Levantado do Chão até Ensaio sobre a Cegueira, procedimentos que não poucas resistências qual dos textos de Saramago está ausente a pontuação . Se ausência existe é ela a da lucidez crítica de
 
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progressiva disfunção de objectos e de mecanismos, numa cidade concentracionária e policiada, até que sobrevém a final e justificada rebelião comportamento dos homens e o regular funcionamento das máquinas; em ‘Coisas’, relata se o gradual desaparecimento das coisas e a do Cerco de Lisboa . É esse barroquismo que Saramago abandona à medida que na sua ficção vão rareando a evidentes em ‘Centauro’ e em ‘Desforra’) contrariam a anteriori o famoso barroquismo estilístico e a exuberância digressiva de Memorial do nos termos escorreitos que hão de ser os dos romances que provêm da ‘ ressimplificação do estilo’ de que o proposta de uma leitura semanticamente expansiva . Algo que se resolve no conto ou que, para além dele, se aprofunda Do Conto ao Romance em José Saramago 161 depois, o conto toma o seu rumo e a narração faz se História, o mito ou a questionação da identidade portuguesa, ela também de fundo histórico . Concomitantemente, acentua se a emergência de um último (último nesta breve análise) princípio: o princípio da alegorização . 8 . Mais do que qualquer outro dos procedimentos fundacionais a que aqui já me referi, o princípio da alegorização constitui a causa primeira e dis creta Convento e d’ O Ano da Morte de Ricardo Reis , d’ O Evangelho Segundo Jesus Cristo e da História condutor e faz dele a vítima simbólica de uma crise de abastecimento de petróleo que põe em causa o normal num género de trata se da construção de um cemitério gigantesco, único e central do reino; no segundo, um automóvel aprisiona o seu escritor nos falou . Grosso modo, a partir de Todos os Nomes; sintomaticamente, com este romance aprofunda se na obra dos homens que se recusam a ser coisas . A contenção e a sobriedade de recursos expressivos destes contos (também de José Saramago a tendência para contemplar temas e situações no limite (ou mesmo no domínio) do absurdo inexplicado e opressivo, de coloração kafkiana, temas e situações já esboçadas em ‘Refluxo’ e também em ‘Embargo’ e em ‘Coisas’: no primeiro,
 
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ordens e organizações tentaculares e absurdas onde imperam as siglas e onde se centralizam os mortos (como em ‘Refluxo’), tudo de explícito e sugestivo enquadramento histórico: a alegoria da caverna platónica, refeita num universo ficcional que gira em torno de com toda a evidência envolvem; depois pela sua condição de pro jectos embrionários que outros relatos de José Saramago, mais que erraticamente deambulam numa cidade concentracionária; uma entidade mítica deslo cada num tempo e num cenário hostil (falo de ‘Centauro’), ao que aconteceu em Portugal) algo mais do que a nossa consabida vocação para macular o sucesso alheio . É enredos ou situações representadas e o dos sentidos transcendentes, de alcance moral, escatológico ou ético, deduzidos daquele primeiro nível de mundo em crise; espaços sem explícita caracterização geográfica, social ou histórica; objectos que tiranizam pessoas (como no já mencionado ‘Coisas’) amplos e mais circunstanciados hão de aprofundar . Personagens sem nome nem fala como as que em ‘Embargo’ circulam num por junto antecipa a mais recente ficção de José Saramago . Expressivamente avulta nessa ficção um romance, A Caverna , Carlos Reis 162 mais ampla composição: no romance de José Saramago . Acresce a isto que o uso da alegoria dos contos de Objecto quase é, deste ponto de vista, uma falsa simplicidade . Primeiro pela dimensão alegórica que eles responde a um desafio de clara motivação post moderna . que A Caverna é o caso mais flagrante de investimento alegórico, em clara deriva e mesmo negação da ficção saramaguiana e ainda (acrescento eu) fábulas ou parábolas em que a alegoria se exerce a dois níveis, o das elementares figuras, um gigantesco centro comercial, parece deslocada no tempo, sendo contudo esse deslocamento o efeito inevitável da dinâmica da alegorização que representação, às vezes tão singelo como singela é a forma simples em que se encontra . A simplicidade de alguns reporta se a muito remotas utilizações da narrativa, naquilo a que André Jolles chamou formas simples: mitos, casos ou contos que, na ressaca do Prémio Nobel, encon trou resistências de leitura e de recepção crítica que foram talvez (refiro me
 
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(quase) conclusiva e global conseguida por virtude de uma superior intervenção artística, em busca da fundamental ordem adquirido e reconheci mento generalizado, um todo orgânico; é desse conjunto que digo que se foi fazendo obra , forma de leitura, entenda se) a uma outra interpretação da História a vir e que é a do futuro do Homem, costas voltadas para o futuro, conforme a famosa e também alegórica figuração de Paul Klee, comentada por Walter Benjamin) não de um progresso em que se acumulam as ruínas de uma civilização em crise, opressora dos homens, geradora de humilhantes citado A Caverna, O Homem Duplicado ou ainda no recente Ensaio sobre a Lucidez, relatos todos em que só alguma desigualdades, intolerante para com os fracos, os excluídos e os vencidos: na História que avança (ou no seu anjo de de certa forma motivado também pelo processo de deriva que o próprio escritor sugeriu num ensaio a que chamou ‘Do canto ao romance, do romance ao canto’ (Saramago, 1994), reportando se à porosidade das fronteiras que só artificialmente separam a ironia tempera um balanço de geral amargura e desencanto . 9 . Do conto ao romance, digo então, para concluir, parece haver outro fim à vista que não seja o da acentuação, até limites insuportáveis, do egoísmo, da intolerância e um futuro cada vez mais tornado presente . Passa essa interpretação pelo conhecimento ficcional do mun do assolado pela tempestade da crueldade humana . O decantado pessimismo de José Saramago, tantas vezes comentado (até pelo próprio), vem já daqueles contos Do Conto ao Romance em José Saramago 163 A revisão do mito e a sua dessacralização abrem caminho (ca minho lhe um ponto’ . Ou um romance . Ou vários romances, almejando um conjunto que é já hoje, por direito vai, repito, do conto ao romance, processo também caucionado pela consabida sabedoria popular que diz: ‘Quem conta um conto acrescenta e explana se, sob o signo da alegoria, em romances como Ensaio sobre a Cegueira, Todos os Nomes, o já entoação épica da efabulação romanesca . De forma homóloga (que não análoga) parecem passar se as coisas no processo que
 
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assim, as Formas fundamentais’ (Jolles, 1976, p . 26) . Carlos Reis Universidade de Coimbra faz um sentido por assim dizer translato: ‘O homem intervém na confusão do universo; aprofunda, reduz, reúne; recolhe elementos conexos, separa, divide, decompõe e agrupa o essen cial em pequenos lotes . As diferenças alargam se, o equívoco elimina se ou então é remetido e conduzido à univocidade . Desdobramento da explicação e recolhimento da classificação – o homem atinge, Carlos Reis 164 perdida que o caos do mundo pertinazmente adia . Como disse André Jolles noutro contexto que aqui
 
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Derrida, La Loi du genre / The Law of Genre . In : Glyph . Textual Studies , 7 (1980), sémiotique de l’archive chez Fernando Pessoa . In: Genesis, 10 (1996), pp . 579 72 . H . Costa, José pp . 175 203 . Michel Foucault, What is an Author? In: Josue V . Harari (ed . ), Textual . Vol . 2, 1 (1982), pp . 47 61 . I . Castro, Parole d’auteur contre parole de dossier: Strategies: Perspectives in Post Structuralist Criticism . Ithaca, 1979, pp . 141 160 . André Jolles, Formas Simples . São to Baltasar and Blimunda . In: Postuguese Literary & Cultural Studies, 6, Spring (1999), pp . 33 48 . Jacques (1994), pp . 119 123 . José Saramago, O Evangelho segundo Jesus Cristo . Lisboa, 1991 . Maria Alzira Seixo, Do Conto ao Romance em José Saramago 165 Bibliografia Citada Augusto Abelaira, Advertência escrita em 1982 e retirada dum diário I . Castro, O corpus de O Guardador de Rebanhos depositado na Biblioteca Nacional . In: Revista da Biblioteca Nacional doutrina estética . Selecção, prefácio e notas de Jorge de Sena . Lisboa, 1946 . Eça de Queirós, A Relíquia Saramago: o período formativo . Lisboa, 1997 . H . Costa, Saramago’s Construction of Fictional Characters: From Terra do Pecado Lugares da ficção em José Saramago . O essencial e outros ensaios . Lisboa, 1999 . íntimo descoberto depois da morte do autor . In: Quatro paredes nuas . Amadora, 1972, pp . 197 202 . . Lisboa, s/d . Carlos Reis, Diálogos com José Saramago . Lisboa, 1998 . José Saramago, Objecto quase . Lisboa, Paulo, 1976 . E . Miné, Pretextos ou testemunhos (em torno da crónica de José Saramago) . In: Boletim do 1978 . José Saramago, Do romance ao canto, do canto ao romance . In: Bulletin of Hispanic Studies, LXXI, 1 Centro de Estudos Portugueses . Vol . 14, 18, Julho/Dezembro (1994), pp . 99 105 . Fernando Pessoa, Páginas de
 
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